PMOS — a nova designação internacional da síndrome do ovário poliquístico

PMOS é o novo nome internacional da condição anteriormente conhecida como SOP. Saiba o que significa, porque mudou e como isso afeta o diagnóstico e o tratamento.

Em resumo

  • PMOS ( Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome ) é o novo nome internacional da condição anteriormente conhecida como síndrome do ovário poliquístico (SOP ou PCOS).
  • Não é uma doença nova: o diagnóstico anterior mantém-se válido e os critérios clínicos não mudaram por causa do novo nome.
  • A nova designação retira a referência enganadora a “quistos” e reconhece uma condição que pode envolver hormonas, metabolismo, ovulação, pele, saúde emocional e fertilidade.
  • Os sintomas e o risco metabólico variam muito. Nem todas as pessoas têm o mesmo conjunto de manifestações nem apresentam morfologia ovárica poliquística na ecografia.
  • A mudança está a ser introduzida durante um período internacional de transição, com integração plena prevista na atualização das recomendações de 2028.

O que é PMOS

A PMOS é uma condição endócrina e metabólica frequente, anteriormente designada síndrome do ovário poliquístico (SOP). Pode alterar a ovulação, aumentar a produção ou a ação dos androgénios e associar-se a resistência à insulina e a outros fatores de risco metabólico.

A sigla PMOS corresponde à designação inglesa Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. Em materiais oficiais traduzidos para português surge também a sigla SMOP, de Síndrome Metabólica Ovárica Poliendócrina, por seguir a ordem das palavras na tradução. Neste artigo utiliza-se PMOS, a sigla internacional empregue na literatura científica.

Porque mudou o nome

A expressão “ovário poliquístico” sugeria que a condição era definida por quistos anormais nos ovários. Isso é incorreto. As imagens observadas na ecografia correspondem sobretudo a numerosos folículos ováricos pequenos, não a quistos patológicos.

Além disso, a morfologia ovárica poliquística não está presente em todas as pessoas com a condição e pode existir em pessoas sem PMOS. O nome anterior também reduzia uma condição multissistémica aos ovários, deixando menos visíveis as dimensões endócrina, metabólica, dermatológica e psicológica.

Em 2026, um processo de consenso global envolvendo organizações científicas, profissionais de saúde e pessoas com experiência da condição adotou a designação PMOS. A mudança pretende aumentar a precisão, reduzir o estigma e facilitar diagnósticos e cuidados mais completos.

PMOS e SOP são a mesma condição

PMOS não substitui a SOP por uma doença diferente. É uma mudança de nomenclatura baseada numa compreensão mais ampla da mesma condição. Um diagnóstico anterior de SOP continua válido; durante o período de transição, é normal encontrar as duas designações em relatórios, estudos e sistemas de saúde.

Sintomas

A apresentação é heterogénea. Algumas pessoas têm sobretudo manifestações menstruais ou dermatológicas; outras apresentam alterações metabólicas ou dificuldades reprodutivas.

As manifestações possíveis incluem:

  • ciclos menstruais irregulares, muito espaçados ou ausentes;
  • ovulação pouco frequente ou ausente;
  • hirsutismo, com aumento de pelos no rosto ou corpo;
  • acne persistente;
  • queda de cabelo com padrão androgenético;
  • dificuldade em engravidar devido a disfunção ovulatória;
  • resistência à insulina ou alterações da glicose;
  • alterações do colesterol, pressão arterial ou outros fatores cardiometabólicos;
  • apneia obstrutiva do sono;
  • ansiedade, depressão, alterações da imagem corporal ou redução da qualidade de vida.

O peso corporal não define a PMOS. A condição pode ocorrer em pessoas com qualquer índice de massa corporal, e o risco metabólico deve ser avaliado individualmente.

Causas e fatores de risco

A causa exata não é única. A PMOS resulta da interação entre predisposição genética, regulação hormonal, função ovárica e metabolismo.

A resistência à insulina é frequente e pode favorecer níveis mais elevados de androgénios e alterações da ovulação. No entanto, não está presente em todos os casos e não é um critério diagnóstico obrigatório.

O risco é maior quando existem familiares próximos com PMOS/SOP ou diabetes tipo 2. Fatores ambientais e diferentes fases da vida podem modificar a expressão clínica, mas a condição não é causada por falta de disciplina, por um alimento específico ou simplesmente pelo excesso de peso.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico e exige a exclusão de outras causas de irregularidade menstrual ou excesso de androgénios. A mudança de SOP para PMOS não alterou os critérios diagnósticos vigentes.

Em adultos, as recomendações internacionais de 2023 mantêm a presença de pelo menos dois de três elementos:

  1. disfunção ovulatória ou ciclos irregulares;
  2. hiperandrogenismo clínico ou bioquímico;
  3. morfologia ovárica poliquística na ecografia ou, em circunstâncias adequadas, hormona antimülleriana (AMH) como alternativa à ecografia.

Quando coexistem ciclos irregulares e hiperandrogenismo, a ecografia ou a AMH não são necessárias para confirmar o diagnóstico. A ecografia e a AMH não devem ser usadas em simultâneo apenas para aumentar a probabilidade de preencher um critério.

A avaliação pode incluir história menstrual, sinais de hiperandrogenismo, análises hormonais, glicemia, perfil lipídico, pressão arterial e avaliação de saúde emocional e sono. Dependendo do quadro, é necessário excluir alterações da tiroide, hiperprolactinemia, hiperplasia suprarrenal não clássica e outras causas menos frequentes.

Diagnóstico na adolescência

Na adolescência, ciclos irregulares podem fazer parte da maturação normal após a primeira menstruação. Por isso, o diagnóstico exige simultaneamente disfunção ovulatória persistente, definida de acordo com os anos decorridos desde a menarca, e hiperandrogenismo. A ecografia e a AMH não são recomendadas para diagnosticar PMOS na adolescência.

Morfologia poliquística não é sinónimo de PMOS

Uma ecografia com numerosos folículos não confirma, por si só, PMOS. Da mesma forma, uma ecografia sem morfologia poliquística não exclui a condição quando existem os outros critérios.

Tratamento

Não existe um tratamento único. O plano depende das manifestações presentes, do risco metabólico, do desejo de engravidar e das prioridades de cada pessoa.

As medidas possíveis incluem:

  • informação clínica e decisão partilhada;
  • atividade física, alimentação equilibrada, sono e outras medidas de estilo de vida, com benefícios mesmo quando não há perda de peso;
  • contraceção hormonal combinada para regular ciclos e tratar manifestações de hiperandrogenismo, quando clinicamente adequada;
  • metformina sobretudo para indicações metabólicas e em situações selecionadas;
  • tratamentos específicos para acne, hirsutismo ou queda de cabelo;
  • proteção do endométrio quando existem intervalos prolongados sem menstruação;
  • apoio psicológico quando existem ansiedade, depressão, perturbações alimentares ou impacto significativo na qualidade de vida;
  • tratamento da infertilidade anovulatória, sendo o letrozol a primeira opção farmacológica recomendada quando não existem outros fatores de infertilidade.

O tratamento deve evitar reduzir toda a condição ao peso, à regularização do ciclo ou à fertilidade. A PMOS requer acompanhamento proporcional aos sintomas e aos riscos de cada pessoa.

Evolução

A PMOS acompanha a pessoa ao longo da vida, mas a sua expressão pode mudar. A irregularidade menstrual e as manifestações de hiperandrogenismo podem tornar-se menos evidentes com a idade, enquanto alguns riscos metabólicos podem persistir.

Existe maior probabilidade de intolerância à glicose e diabetes tipo 2, apneia do sono e fatores de risco cardiovascular. A ausência prolongada de ovulação também aumenta o risco de hiperplasia do endométrio e de cancro do endométrio, embora o risco absoluto permaneça baixo e não se recomende rastreio de rotina sem indicação clínica.

Durante a gravidez, a PMOS associa-se a maior risco de algumas complicações maternas e obstétricas, pelo que o acompanhamento deve considerar o perfil metabólico e reprodutivo individual.

O nome SOP continuará a aparecer durante a transição internacional. A implementação de PMOS está planeada de forma gradual para preservar a continuidade dos diagnósticos, dos registos clínicos e da investigação.

Quando deve ser avaliado

A avaliação clínica está indicada perante:

  • ciclos persistentemente irregulares, menos de oito menstruações por ano ou ausência prolongada de menstruação;
  • hirsutismo, acne persistente ou queda de cabelo com padrão androgenético;
  • dificuldade em engravidar associada a ciclos irregulares;
  • alterações da glicose, pressão arterial ou perfil lipídico;
  • sintomas de ansiedade, depressão, perturbação alimentar ou apneia do sono;
  • um diagnóstico anterior de SOP sem avaliação metabólica ou acompanhamento atualizado.

O aparecimento rápido de pelos, engrossamento da voz, aumento marcado da massa muscular ou outros sinais de virilização não é típico de PMOS e requer avaliação rápida para excluir outras causas.

Fontes:

Revisto por Equipa da Clínica Matriz

A informação disponibilizada neste artigo tem um caráter estritamente informativo e educativo. Não substitui, em caso algum, o diagnóstico, aconselhamento ou tratamento por parte de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvida, consulta sempre o seu médico assistente.

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