Candidíase vaginal
A candidíase vaginal é uma infeção por fungos que pode causar comichão, ardor e corrimento branco espesso. Percebe sintomas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento.
Candidíase vaginal: o que é, sintomas, causas e tratamento
A candidíase vaginal é uma infeção causada por crescimento excessivo de fungos do género Candida, mais frequentemente Candida albicans. Pode provocar comichão intensa, ardor, irritação vulvovaginal e corrimento branco espesso. É um problema muito comum e, na maioria dos casos, tem tratamento simples. Ainda assim, os sintomas podem confundir-se com outras causas de vaginite ou de corrimento, incluindo vaginose bacteriana e algumas infeções sexualmente transmissíveis.
O que é a candidíase vaginal
A vagina tem naturalmente microrganismos em equilíbrio, incluindo bactérias e pequenas quantidades de leveduras. Quando esse equilíbrio se altera, a Candida pode multiplicar-se mais do que o habitual e causar sintomas.
A candidíase vaginal não é geralmente classificada como infeção sexualmente transmissível. Pode surgir em pessoas sem atividade sexual, embora por vezes os sintomas apareçam após relações sexuais ou coexistam com irritação local provocada por outros fatores.
Candida albicans corada por Gram, observada em microscopia de campo claro.
Josef Reischig · CC BY-SA 3.0
Sintomas mais frequentes
Os sintomas mais associados à candidíase vaginal incluem:
- comichão na vagina e na vulva
- ardor ou sensação de irritação
- vermelhidão e inchaço da vulva
- dor ou desconforto ao urinar
- dor durante as relações sexuais
- corrimento branco espesso, por vezes descrito como semelhante a leite coalhado, geralmente sem cheiro forte
A intensidade pode variar. Algumas pessoas têm sintomas ligeiros; noutras, a inflamação é mais marcada e pode haver fissuras, dor importante e desconforto relevante no dia a dia.
O que pode favorecer o aparecimento
Há vários contextos associados a maior risco de candidíase vaginal:
- toma recente de antibióticos
- gravidez
- diabetes mal controlada
- uso de terapêutica hormonal ou contracetivos com estrogénio
- imunossupressão
- uso de produtos irritativos na zona genital, como duches vaginais ou produtos perfumados
Nem sempre é possível identificar um desencadeante claro. Em algumas pessoas, a infeção surge de forma esporádica; noutras, pode repetir-se várias vezes por ano.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela história clínica: tipo de corrimento, intensidade da comichão, ardor, dor, fatores de risco e episódios anteriores. O exame ginecológico pode ajudar a avaliar sinais de inflamação e a excluir outras causas de vulvovaginite.
Quando os sintomas são pouco típicos, muito frequentes, persistentes ou recorrentes, pode ser útil colher uma amostra do corrimento vaginal para confirmar se existe Candida e, em alguns casos, identificar a espécie envolvida. Isto é mais relevante quando há falência terapêutica, suspeita de candidíase complicada ou episódios repetidos.
Candidíase vaginal não é o mesmo que outras causas de corrimento
Nem todo o corrimento branco ou prurido vulvovaginal corresponde a candidíase. A vaginose bacteriana, a tricomoníase, a irritação por produtos locais, algumas dermatoses vulvares e outras infeções podem causar queixas semelhantes.
Por isso, o quadro merece reavaliação quando surge pela primeira vez, quando os sintomas são diferentes do habitual, quando existe mau cheiro, corrimento amarelo ou esverdeado, hemorragia, febre, dor pélvica ou ausência de melhoria com tratamento inicialmente assumido como antifúngico.
Tratamento
O tratamento é feito com antifúngicos, em formulações vaginais ou orais, consoante o contexto clínico. Muitas infeções melhoram com tratamentos de curta duração. Nos casos recorrentes, mais intensos, na gravidez ou quando existe suspeita de espécies menos sensíveis, a abordagem pode precisar de ser diferente e mais prolongada.
A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, da frequência das recorrências, da presença de gravidez e de outras condições clínicas relevantes. Quando a candidíase vaginal ocorre quatro ou mais vezes por ano, pode enquadrar-se como candidíase vulvovaginal recorrente e justificar estratégia de manutenção e investigação de fatores predisponentes.
Quando merece avaliação clínica
A avaliação médica é particularmente importante quando existe:
- primeiro episódio de sintomas compatíveis com candidíase vaginal
- sintomas muito intensos ou persistentes
- recorrência frequente
- gravidez
- diabetes ou imunossupressão
- corrimento com cheiro forte ou coloração invulgar
- dor pélvica, febre ou mal-estar geral
- ausência de melhoria após tratamento antifúngico
Fontes:
NHS: Thrush in men and women , julho de 2023
Office on Women's Health: Vaginal yeast infections , novembro de 2025
Mayo Clinic: Yeast infection (vaginal) - Symptoms and causes , novembro de 2024
CDC: Symptoms of Candidiasis , abril de 2024
A informação disponibilizada neste artigo tem um caráter estritamente informativo e educativo. Não substitui, em caso algum, o diagnóstico, aconselhamento ou tratamento por parte de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvida, consulta sempre o seu médico assistente.





