SOP (síndrome do ovário poliquístico): o que é e a transição para PMOS
A SOP é a designação anterior da condição agora chamada PMOS. Saiba o que é a SOP, como se diagnostica e como se relaciona com o novo nome.
Em resumo
- SOP significa síndrome do ovário poliquístico e foi, durante décadas, o nome usado para a condição atualmente designada PMOS .
- A mudança de nome não cria uma doença nova nem invalida diagnósticos anteriores.
- O termo “poliquístico” era enganador: a condição não é definida por quistos anormais e pode existir sem morfologia ovárica poliquística na ecografia.
- Os critérios diagnósticos e os princípios de tratamento mantêm-se durante o período de transição da nomenclatura.
O que é a SOP
A síndrome do ovário poliquístico (SOP) é a designação anterior de uma condição endócrina e metabólica que pode afetar a ovulação, os níveis ou a ação dos androgénios, o metabolismo, a pele, a fertilidade e a saúde emocional.
Em 2026, um consenso internacional adotou o nome PMOS — Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. A nova designação descreve melhor a natureza multissistémica da condição e elimina a referência incorreta a quistos ováricos.
Durante o período de transição, SOP, PCOS e PMOS podem aparecer como sinónimos em documentos clínicos e científicos. Um diagnóstico prévio de SOP continua válido.
Porque o nome SOP era impreciso
As estruturas observadas na ecografia são habitualmente pequenos folículos ováricos, não quistos patológicos. Além disso, nem todas as pessoas com a condição têm morfologia ovárica poliquística, e essa morfologia também pode existir sem a síndrome.
O nome SOP concentrava a atenção nos ovários e podia ocultar manifestações endócrinas, metabólicas, dermatológicas e psicológicas. A mudança para PMOS pretende corrigir essa representação incompleta.
Sintomas
As manifestações variam e podem incluir:
- ciclos menstruais irregulares ou ausentes;
- ovulação pouco frequente ou ausente;
- hirsutismo;
- acne persistente;
- queda de cabelo com padrão androgenético;
- dificuldade em engravidar por disfunção ovulatória;
- resistência à insulina ou alterações da glicose;
- fatores de risco cardiometabólico;
- ansiedade, depressão ou impacto na imagem corporal e qualidade de vida.
Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. O peso corporal e o aspeto ecográfico dos ovários não determinam, isoladamente, o diagnóstico.
Causas e fatores de risco
A SOP/PMOS tem uma origem multifatorial. Resulta da interação entre predisposição genética, regulação hormonal, função ovárica e metabolismo.
A resistência à insulina é frequente e pode contribuir para o excesso de androgénios e para a disfunção ovulatória, mas não é obrigatória para o diagnóstico. A condição pode ocorrer em pessoas com qualquer índice de massa corporal.
A presença da condição em familiares próximos e a história familiar de diabetes tipo 2 aumentam o risco. A SOP/PMOS não é causada simplesmente pelo peso ou por escolhas individuais de estilo de vida.
Como é feito o diagnóstico
A alteração do nome para PMOS não modificou os critérios diagnósticos vigentes.
Em adultos, o diagnóstico exige a presença de pelo menos dois dos seguintes elementos, depois de excluídas outras causas:
- ciclos irregulares ou disfunção ovulatória;
- hiperandrogenismo clínico ou identificado em análises;
- morfologia ovárica poliquística na ecografia ou AMH como alternativa à ecografia em circunstâncias adequadas.
Quando existem simultaneamente ciclos irregulares e hiperandrogenismo, não é necessário demonstrar morfologia poliquística. Na adolescência, são necessários hiperandrogenismo e disfunção ovulatória persistente; a ecografia e a AMH não são recomendadas para estabelecer o diagnóstico.
Tratamento
O tratamento é individualizado e dirige-se às manifestações presentes e aos objetivos de cada pessoa. Pode incluir medidas de estilo de vida, regulação e proteção do ciclo menstrual, tratamento de acne ou hirsutismo, gestão do risco metabólico, apoio à saúde emocional e tratamento da infertilidade anovulatória.
A avaliação não deve limitar-se à fertilidade ou ao peso. A designação PMOS reforça precisamente a necessidade de integrar saúde hormonal, metabólica, reprodutiva e psicológica.
Evolução
A condição acompanha a pessoa ao longo da vida, embora os sintomas possam mudar. As manifestações menstruais ou dermatológicas podem tornar-se menos marcadas, enquanto a vigilância metabólica continua relevante.
A transição de SOP para PMOS decorrerá gradualmente. A integração completa do novo nome está prevista para a atualização das recomendações internacionais de 2028, permitindo compatibilizar registos clínicos, investigação e comunicação com as pessoas já diagnosticadas.
Quando deve ser avaliado
A avaliação está indicada perante ciclos persistentemente irregulares, ausência prolongada de menstruação, hirsutismo, acne persistente, queda de cabelo androgenética, dificuldade em engravidar ou alterações metabólicas.
Sinais de virilização rápida, sangramento uterino anormal persistente ou sintomas de aparecimento súbito exigem avaliação para excluir outras causas.
Quem recebeu anteriormente um diagnóstico de SOP não precisa de ser diagnosticado novamente apenas por causa da mudança de nome. Pode, contudo, ser útil rever se a avaliação e o acompanhamento abrangem as dimensões metabólica, reprodutiva e emocional descritas atualmente sob a designação PMOS.
Fontes:
The Lancet — Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome , maio de 2026
International PCOS Network — Recomendações internacionais para avaliação e tratamento , agosto de 2023
Endocrine Society — Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome: new name to improve diagnosis and care , maio de 2026
Monash Centre for Health Research and Implementation — PMOS Resources , 2026
Revisto por Equipa da Clínica Matriz
A informação disponibilizada neste artigo tem um caráter estritamente informativo e educativo. Não substitui, em caso algum, o diagnóstico, aconselhamento ou tratamento por parte de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvida, consulta sempre o seu médico assistente.




