Adenomiose: o que é, sintomas e tratamento
Adenomiose é tecido endometrial dentro da parede do útero. Saiba que sintomas causa, como se diagnostica e quando deve ser avaliada.
A adenomiose é uma doença benigna do útero. Acontece quando tecido semelhante ao endométrio, a camada que reveste o interior do útero, cresce dentro da parede muscular do útero. Esse tecido continua a responder ao ciclo menstrual e pode contribuir para menstruações abundantes, dor menstrual intensa e sensação de peso pélvico.
Pode passar despercebida durante anos. Algumas pessoas não têm sintomas; noutras, a adenomiose interfere muito com a vida diária, sobretudo quando a dor e a perda de sangue são marcadas.
O que é adenomiose
O útero tem uma camada interna, o endométrio, e uma camada muscular, o miométrio. Na adenomiose, células endometriais aparecem dentro do miométrio, onde habitualmente não deveriam estar.
Durante o ciclo menstrual, esse tecido pode espessar e sangrar dentro da parede uterina. Isto pode deixar o útero mais aumentado, mais sensível e com contrações menstruais mais dolorosas.
A adenomiose é diferente da endometriose. Na endometriose, tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, por exemplo nos ovários, trompas ou peritoneu. Na adenomiose, o problema está dentro da parede muscular do próprio útero. As duas condições podem existir ao mesmo tempo.
Sintomas mais frequentes
A adenomiose pode não causar sintomas. Quando causa, os mais comuns são:
- menstruações muito abundantes ou prolongadas;
- cólicas menstruais fortes;
- dor pélvica que pode persistir fora da menstruação;
- sensação de peso, pressão ou aumento de volume no baixo ventre;
- dor durante as relações sexuais;
- anemia por perdas menstruais repetidas.
A intensidade dos sintomas não é igual em todas as pessoas. Uma ecografia pode sugerir adenomiose em alguém quase sem queixas, enquanto outra pessoa pode ter dor e hemorragia importantes com alterações menos evidentes.
Porque acontece
A causa exata não é conhecida. A adenomiose parece depender da influência hormonal, sobretudo do estrogénio, e tende a melhorar depois da menopausa.
É diagnosticada com maior frequência depois dos 30 anos e em pessoas que já tiveram uma gravidez. Também pode ser mais provável depois de cirurgia uterina, como cesariana, miomectomia ou curetagem. Ainda assim, estes fatores não explicam todos os casos.
Também é comum aparecer associada a miomas uterinos ou endometriose. Quando estas condições coexistem, os sintomas podem sobrepor-se e o diagnóstico pode exigir uma avaliação mais cuidadosa.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela história clínica: padrão das menstruações, intensidade da dor, perdas de sangue, dor nas relações sexuais, antecedentes de gravidez e cirurgias uterinas.
Na observação ginecológica, o útero pode estar aumentado, globoso ou doloroso. A ecografia ginecológica transvaginal é habitualmente o primeiro exame de imagem. Em alguns casos, a ressonância magnética ajuda a esclarecer o diagnóstico ou a distinguir adenomiose de miomas e outras alterações uterinas.
Uma biópsia do endométrio pode ser necessária quando há hemorragia anormal e é preciso excluir outras causas, mas não confirma por si só a adenomiose. A confirmação definitiva só é possível ao analisar o útero depois de uma histerectomia, embora na prática clínica muitas decisões sejam tomadas com base nos sintomas e nos exames de imagem.
Quando é importante avaliar
A avaliação médica é recomendada quando:
- a menstruação se torna progressivamente mais abundante, dolorosa ou irregular;
- a dor menstrual impede atividades habituais;
- há dor pélvica persistente fora da menstruação;
- existe dor durante as relações sexuais;
- há sangramento entre menstruações ou depois das relações;
- surgem sintomas de anemia, como cansaço marcado, falta de ar aos esforços ou tonturas.
Dor pélvica ou menstrual muito intensa, pior do que o habitual e sem alívio com analgésicos, deve ser avaliada com urgência.
Tratamento
O tratamento depende dos sintomas, da idade, da proximidade da menopausa, do desejo de gravidez e da presença de outras condições, como miomas ou endometriose.
Quando não há sintomas, pode não ser necessário tratamento. Quando há dor ou perdas de sangue abundantes, as opções podem incluir anti-inflamatórios, ácido tranexâmico, contraceção hormonal ou sistema intrauterino com levonorgestrel. Estes tratamentos procuram reduzir dor e hemorragia; não retiram a adenomiose da parede uterina.
Quando os sintomas são muito intensos ou não melhoram com tratamento médico, podem ser discutidas opções cirúrgicas. A histerectomia, remoção do útero, é o único tratamento definitivo, mas implica deixar de poder engravidar e costuma ser reservada para situações em que os sintomas são graves e outras opções não resultaram ou não são adequadas.
Fertilidade e gravidez
A relação entre adenomiose e fertilidade não é simples. Algumas pessoas com adenomiose engravidam espontaneamente. Em contexto de infertilidade ou tratamentos de reprodução, a adenomiose pode estar associada a menor probabilidade de sucesso, mas a importância deste fator varia de caso para caso.
Quando há desejo de gravidez, a avaliação deve considerar a idade, reserva ovárica, dor, hemorragia, presença de endometriose ou miomas e história obstétrica. O objetivo é escolher um plano que trate sintomas sem comprometer desnecessariamente a possibilidade de engravidar.
Fontes:
NHS - Adenomyosis , julho de 2023
Mayo Clinic - Adenomyosis: symptoms and causes , dezembro de 2025
Mayo Clinic - Adenomyosis: diagnosis and treatment , dezembro de 2025
University College London Hospitals NHS Foundation Trust - What is adenomyosis? , junho de 2025
A informação disponibilizada neste artigo tem um caráter estritamente informativo e educativo. Não substitui, em caso algum, o diagnóstico, aconselhamento ou tratamento por parte de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvida, consulta sempre o seu médico assistente.




