Vírus Nipah (NiV): o que é, como se transmite, quais os sintomas e riscos para populações especiais

O que é o vírus Nipah, como se transmite, quais os sintomas e que recomendações estão em vigor face ao surto recente na Índia.

O que é o vírus Nipah

O vírus Nipah (NiV) é um paramixovírus zoonótico (transmite-se de animais para humanos) identificado em 1998. Desde então têm sido documentados surtos em países sul asiáticos, como o Bangladesh e Índia. NiV tem como reservatório natural uma espécie de morcegos (morcegos da fruta ou raposas voadoras), que habitam no Sul e Sudeste Asiático, região do oceano Índico e Oceânia. NiV pode causar doença grave, com taxas de mortalidade registadas entre 40-75%, dependendo de fatores como a estirpe viral e o acesso a cuidados de saúde.

Porque estamos agora a ouvir falar de NiV

Em Janeiro de 2026 está a decorrer um surto de NiV no estado de Bengala Ocidental, na Índia, com 2 casos confirmados e 196 contactos identificados, os quais permanecem assintomáticos e testaram negativo para o vírus, segundo os últimos dados disponíveis. O surto mantém-se restrito a esta região e estão a ser implementadas medidas de saúde pública nos países fronteiriços.

Como se transmite o vírus Nipah?

NiV pode transmitir-se pelo contacto direto com animais infetados, manuseamento ou ingestão de alimentos contaminados e por contacto direto com fluidos corporais ou inalação de gotículas de pessoas infetadas. Sendo os morcegos da fruta o reservatório natural, outros animais como porcos e cavalos já estiveram implicados em surtos.

Quais são os sintomas da infecção pelo vírus Nipah?

Até 11% das pessoas infetadas permanecem assintomáticas. Os doentes sintomáticos podem apresentar sintomas respiratórios ligeiros a severos ou encefalite. Os principais sintomas iniciais são febre, cefaleia, tontura, vómitos, mialgias, odinofagia, tosse e/ou dificuldade respiratória. Nos casos que progridem para encefalite, pode ocorrer alteração do estado de consciência, confusão, desorientação, convulsões, mioclonias (contrações musculares involuntárias), que podem ser rapidamente progressivos e culminar em coma. Não há evidência que suporte que a doença seja mais grave ou rapidamente progressiva em grupos específicos, como grávidas ou crianças.

Recomendações atuais

O Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) recomenda que pessoas que viajem ou vivam em Bengala Ocidental evitem fontes potenciais de infeção, nomeadamente o contacto com animais domésticos ou selvagens e os seus fluídos corporais, o consumo de alimentos que possam estar contaminados por morcegos e evitar a ingestão de seiva de tamareira e tâmaras/sumo de tâmara. Não foram emitidas recomendações pela Direção-Geral da Saúde.

Margarida Torres
Margarida Torres

Sou médica especialista em Doenças Infeciosas. Gosto especialmente das áreas de prevenção e controlo de infeção e prescrição de antimicrobianos e de infeção no doente imunocomprometido. A minha experiência estende-se também às infeções sexualmente transmissíveis, VIH, hepatites, medicina tropical e do viajante. Acredito numa medicina centrada na prevenção e com uma abordagem multidisciplinar.

Publicado em 31 de janeiro de 2026

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