Placenta Prévia: o que é, sintomas e quando é grave

A placenta prévia acontece quando a placenta cobre o colo do útero. Conheça os sintomas, fatores de risco, como é diagnosticada e tratada, e quando exige avaliação urgente.

Em resumo

  • A placenta prévia acontece quando a placenta cobre total ou parcialmente o colo do útero no final da gravidez.
  • O sinal mais comum é uma hemorragia vaginal indolor na segunda metade da gravidez.
  • O parto vaginal está contraindicado — a via de parto é cesariana .
  • Diagnosticada no segundo trimestre, a placenta pode subir à medida que o útero cresce, resolvendo a condição.
  • Qualquer hemorragia vaginal após as 20 semanas justifica avaliação médica urgente .

A placenta prévia é uma condição em que a placenta se implanta na parte inferior do útero e cobre parcial ou totalmente o colo do útero (a abertura para a vagina - o canal de parto) no terceiro trimestre. Acontece em cerca de 1 em cada 200 gravidezes e, quando detetada precocemente e bem vigiada, a maioria das gestações termina sem complicações.

O que é a placenta prévia

Durante uma gravidez normal, a placenta implanta-se na parte superior do útero e migra para cima à medida que o útero se expande. Na placenta prévia, a placenta permanece na parte inferior e bloqueia total ou parcialmente o colo do útero.

Distinguem-se três situações clínicas, consoante a posição da placenta em relação ao colo:

Situação O que significa
Placenta de inserção baixa O bordo da placenta está a menos de 2 cm do colo, mas não o cobre.
Placenta prévia marginal A borda da placenta toca ou cobre ligeiramente a margem do colo.
Placenta prévia total A placenta cobre completamente o colo do útero.

Estas distinções importam porque condicionam a vigilância e a decisão sobre o momento do parto. A placenta prévia total é a forma mais grave — bloqueia por completo a saída do bebé e tem o risco hemorrágico mais elevado.

O que a distingue de outras situações placentárias

  • Placenta anterior, posterior ou fúndica: são variações normais da localização. A placenta está na metade superior do útero — longe do colo. Não comportam risco.
  • Placenta prévia: a placenta está na metade inferior do útero, junto ao colo. Exige vigilância e cuidados específicos.
  • Descolamento prematuro da placenta: a placenta separa-se da parede uterina antes do parto. Também causa hemorragia, mas é uma emergência diferente — frequentemente com dor abdominal intensa.

A ecografia distingue estas situações com precisão.

Sintomas

Hemorragia vaginal

O sinal mais característico é uma hemorragia vaginal de sangue vermelho vivo, geralmente indolor, que surge na segunda metade da gravidez (após as 20 semanas). Pode ser:

  • Um episódio único e autolimitado.
  • Vários episódios intermitentes ao longo das semanas.
  • Uma hemorragia abundante e súbita (emergência obstétrica).

Nem todas as mulheres com placenta prévia sangram antes do parto. Algumas só descobrem a condição na ecografia de rotina.

Outros sinais possíveis

  • Contrações ou cólicas ligeiras.
  • Sensação de pressão pélvica.

O que fazer perante uma hemorragia

Qualquer perda de sangue na segunda metade da gravidez é um motivo para avaliação urgente — mesmo que seja uma quantidade pequena e pare espontaneamente. Contactar a maternidade ou dirigir-se a uma urgência de obstetrícia. Não usar tampões nem realizar exames internos fora do contexto hospitalar.

Causas e fatores de risco

A placenta prévia não tem uma causa única identificável. Resulta da localização inicial da implantação do óvulo fertilizado, que não é controlável.

Os fatores de risco conhecidos:

  • Cesariana anterior: o risco aumenta com o número de cesarianas prévias. A cicatriz uterina altera o local provável de implantação.
  • Placenta prévia numa gravidez anterior: risco de recorrência de cerca de 2%.
  • Cirurgia uterina prévia: miomectomia, curetagem, remoção de pólipos.
  • Gravidez múltipla (gémeos ou mais).
  • Idade materna superior a 35 anos.
  • Tabagismo e consumo de cocaína.
  • Fertilização in vitro (FIV): risco ligeiramente aumentado.

A presença de fatores de risco não significa que a placenta prévia vá ocorrer — apenas que a probabilidade é maior, justificando atenção redobrada nas ecografias de rotina.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico e o acompanhamento baseiam-se na ecografia:

  1. Ecografia morfológica (20-22 semanas): é o momento em que se identifica uma possível placenta de inserção baixa ou prévia. Nesta fase, muitas situações são transitórias.
  2. Ecografia de reavaliação (32 semanas): se a ecografia das 20 semanas mostrou uma placenta baixa, repete-se às 32 semanas para verificar se a placenta subiu. A maioria das placentas baixas diagnosticadas no segundo trimestre sobe à medida que o útero se expande.
  3. Ecografia às 36 semanas: se a placenta continuar baixa às 32 semanas, uma nova avaliação às 36 semanas confirma a posição definitiva e ajuda a planear o parto.

A ecografia transvaginal oferece a medição mais precisa da distância entre o bordo da placenta e o colo. É segura — não provoca hemorragia nem desloca ou descola a placenta.

Tratamento

O objetivo da vigilância é prolongar a gravidez o mais próximo possível do termo, mantendo a segurança da mãe e do bebé.

Se não houver hemorragia

  • Repouso pélvico: evitar relações sexuais vaginais, tampões, duches vaginais e exames internos desnecessários.
  • Evitar esforços intensos: levantar pesos, exercício intenso, agachamentos profundos, saltos.
  • Consultas e ecografias regulares para monitorizar a posição da placenta e o crescimento do bebé.
  • A grávida mantém a sua vida normal com estas precauções.

Se houver hemorragia

A conduta depende da quantidade de sangue perdido e da idade gestacional:

  • Hemorragia ligeira e autolimitada: pode justificar internamento para observação durante 24–48 horas.
  • Hemorragia moderada ou recorrente: geralmente implica internamento hospitalar até ao parto, para acesso imediato a transfusões e a uma cesariana de emergência se necessário.
  • Hemorragia grave: cesariana de emergência, independentemente da idade gestacional. A prioridade é salvar a mãe e o bebé.

Medicação

  • Corticosteroides: aceleram a maturação dos pulmões do bebé, antecipando a possibilidade de parto pré-termo.
  • Tocolíticos (em situações selecionadas): medicamentos que inibem as contrações, ganhando tempo para os corticosteroides atuarem.

A placenta prévia não se trata com medicamentos — não há fármaco que altere a posição da placenta. Os tratamentos gerem as consequências (hemorragia, risco de prematuridade).

Parto

A via de parto na placenta prévia é a cesariana. Um parto vaginal com o colo coberto pela placenta provocaria uma hemorragia catastrófica.

O momento da cesariana depende de vários fatores:

Situação Momento habitual do parto
Prévia, sem hemorragia 36–37 semanas (cesariana programada)
Hemorragia ativa ou recorrente Quando necessário (pode ser antes das 36 semanas)
Emergência hemorrágica Imediatamente, independentemente da idade gestacional

Exceção rara — parto vaginal: pode ser considerado apenas numa placenta de inserção baixa (não prévia) em que o bordo está a mais de 1–2 cm do colo, sem hemorragia ativa, e após avaliação cuidadosa por uma equipa obstétrica experiente. É a exceção, não a regra.

Complicações possíveis

Para a mãe

  • Hemorragia grave antes, durante ou após o parto.
  • Necessidade de transfusão de sangue.
  • Cesariana de emergência.
  • Em casos raros: histerectomia (remoção do útero) para controlar uma hemorragia incontrolável.
  • Risco aumentado de placenta acreta — a placenta invade profundamente a parede uterina. Mais frequente quando há placenta prévia + cesariana anterior.

Para o bebé

  • Parto pré-termo (antes das 37 semanas).
  • Baixo peso ao nascer.
  • Dificuldades respiratórias associadas à prematuridade.
  • Risco raro de complicações graves por hipoxia durante uma hemorragia materna massiva.

Com vigilância adequada, a maioria dos bebés de mães com placenta prévia nasce saudável.

Evolução

A placenta prévia é uma condição tratável com bom prognóstico quando vigiada adequadamente.

A evolução natural mais favorável é a migração da placenta para a parte superior do útero. Isto acontece na maioria dos casos diagnosticados antes das 28 semanas — o segmento uterino inferior alonga-se e a placenta sobe.

Quando a placenta permanece prévia no terceiro trimestre, o desfecho habitual é uma cesariana programada às 36–37 semanas, com resultados muito bons para a mãe e para o bebé. As complicações graves são raras quando há vigilância e acesso a cuidados obstétricos.

A fertilidade futura não é afetada. Uma nova gravidez é possível, mas exige vigilância acrescida pelo risco de recorrência e pela cicatriz uterina se houve cesariana anterior.

Quando deve ser avaliada

Contactar a maternidade ou dirigir-se a uma urgência de obstetrícia se:

  • Houver qualquer hemorragia vaginal na segunda metade da gravidez — mesmo que seja ligeira e pare espontaneamente.
  • Surgirem contrações regulares antes do termo.
  • Houver dor abdominal intensa e persistente.
  • Ocorrer rotura de bolsa (perda de líquido) numa gravidez com diagnóstico de placenta prévia.

Em caso de hemorragia abundante, ligar 112 ou dirigir-se de imediato à urgência mais próxima.

Fontes:

Revisto por Mariana Torres

A informação disponibilizada neste artigo tem um caráter estritamente informativo e educativo. Não substitui, em caso algum, o diagnóstico, aconselhamento ou tratamento por parte de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvida, consulta sempre o seu médico assistente.

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