Saúde mental na gravidez: conhece os sinais de alerta, percebe o que pode ser normal e quando procurar apoio especializado.
Será que a forma como me sinto faz parte da gravidez ou pode ser sinal de que algo não está bem?
A gravidez é um período de muitas mudanças na vida da mulher, casal e família. No caso particular da mulher grávida há muitas transformações simultâneas a acontecer – muda o corpo, mas há também alterações cerebrais, psíquicas e emocionais.
São comuns: os sentimentos de ambivalência, momentos de labilidade emocional e também alguma ansiedade, de forma ajustada às várias etapas da gravidez, às vigilâncias necessárias, à saúde e crescimento saudável do bebé e à mudança de vida que vai ocorrer. O sono pode não ser o mesmo - no primeiro trimestre é muito comum a sonolência diurna e na fase final a insónia. A memória e a concentração parecem não ser as mesmas.
Contudo, há sintomas que se podem tornar mais persistentes e que podem carecer de uma avaliação e eventual intervenção. Alguns exemplos são:
- Uma tristeza que se começa a instalar de forma frequente e marcada e que vai acompanhando a grávida no dia-a-dia
- Irritabilidade ou choro frequentes
- Perda de prazer ou interesse em atividades antes sentidas como agradáveis
- Redução da autoestima de forma persistente, com sentimentos de que não vai ser capaz - “não vou conseguir assumir a maternidade ou ser boa mãe”
- Pensamentos negativos, intrusivos e sentimentos de culpa “não devia ter engravidado”
- Uma ansiedade excessiva sobre o bebé ou sobre o parto
- Cansaço marcado, em que o sono não é reparador, mesmo quando se dorme bem, com falta de energia
- Sintomas e dores físicas, sem causa orgânica aparente
- Falta de apetite, com pouco aumento de peso
- Ausência de vontade de preparar as coisas necessárias para o bebé, ou fazê-lo com sentimento de indiferença
- Faltar a consultas, a exames programados ou descurar os cuidados pré-natais
Devemos ter ainda maior atenção à nossa saúde mental neste período quando há um histórico psiquiátrico pessoal anterior (exemplo: depressão nos 6 meses antes da gravidez ou depressão em pós-parto anterior) ou familiar (principalmente mãe, irmãs, tias e avós).
Quando está presente algum quadro clínico de ordem psico-emocional na gravidez, uma intervenção nesse momento é o ideal, para prevenir a sua perpetuação no pós-parto. Afinal, o principal fator de risco para depressão no período do pós-parto é a presença de depressão na gravidez.
Identificas algum destes sintomas? Se sim, fala com o médico que te acompanha e, se necessário, uma consulta de psiquiatria perinatal pode ajudar a clarificar e a melhorar.
Referências bibliográficas
- Olza, I. Lorezno, P. (2020). Psicología del embarazo. Editorial Sintesis.
- Hunther, L. Catapano, L. Yang, S. Willams, K. Osborne, L. (2022). Textbook of Women’s Reproductive Mental health. American Psychiatry Association Publishing.