Diarreia na gravidez é comum e, na maioria dos casos, não é grave. Descobre o que é considerado normal, quais as causas e quando procurar ajuda médica.
Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por várias alterações — hormonais, físicas e emocionais. Estas mudanças também podem afetar o sistema digestivo e, por isso, frequentemente as grávidas apresentam sintomas gastrointestinais como refluxo, náuseas, vómitos e obstipação. Episódios de diarreia também podem ocorrer ao longo da gestação, causando preocupação em muitas grávidas.
O que é a diarreia?
A diarreia caracteriza-se pela eliminação de fezes mais líquidas ou amolecidas, três ou mais vezes por dia. Pode ser acompanhada de dor abdominal tipo cólica, gases, náuseas ou sensação urgente de ir à casa de banho.
A diarreia é frequente na gravidez?
Sim. Estudos indicam que cerca de 10–15% das mulheres grávidas apresentam pelo menos um episódio de diarreia durante a gravidez.
Na maioria dos casos, as causas são semelhantes às da população em geral, embora possa ocorrer de forma fisiológica (ou seja, não associada a doença) na gravidez por alterações hormonais e maior sensibilidade visceral.
Tipicamente, a diarreia fisiológica da gravidez ocorre no segundo trimestre e, depois, no final do terceiro trimestre (tipicamente antecedendo o trabalho de parto) devido às alterações hormonais e estruturais que acontecem nessas fases.
Quais são as causas mais comuns?
As causas mais frequentes de diarreia durante a gravidez incluem:
- Infecções intestinais – geralmente causadas por vírus ou bactérias transmitidos por alimentos ou água contaminados ou contacto directo com pessoas infectadas;
- Alterações na alimentação – como aumento do consumo de fibras, frutas ou suplementos;
- Mudanças hormonais – que podem alterar o funcionamento do intestino;
- Utilização de medicamentos ou suplementos – sobretudo aqueles que contêm magnésio ou ferro;
- Doenças intestinais pré-existentes – como o síndrome do intestino irritável, cujos sintomas podem agravar-se durante a gravidez.
Na maioria das situações, a diarreia é ligeira e transitória.
A diarreia pode prejudicar o bebé?
Quando é ligeira e de curta duração, normalmente não representa risco para o bebé.
No entanto, estudos observacionais sugerem que episódios frequentes ou prolongados, especialmente quando associados a desidratação, podem estar relacionados com maior risco de bebés pequenos para a idade gestacional.
Por isso, é fundamental garantir uma boa hidratação, sobretudo se existirem também vómitos, para além da diarreia.
O que fazer em caso de diarreia?
Algumas medidas simples podem ajudar:
- Beber líquidos em quantidade adequada, como água, água de coco ou soluções de reidratação oral aptas a grávidas (sempre com validação do médico assistente/ obstetra).
- Optar por uma alimentação leve incluindo alimentos como o arroz e a banana. Atenção que algumas frutas como a maçã e a pêra, mesmo cozidas, são ricas em FODMAPs (alimentos que causam fermentação) e podem causar desconforto pelo aumento de gases. Evitar também alimentos com muita gordura ou muito doces.
- Não tomar medicamentos sem aconselhamento médico, uma vez que nem todos são seguros durante a gravidez.
Quando é importante procurar ajuda médica?
Deve procurar avaliação médica urgente, se surgir algum destes sinais:
- Diarreia com duração superior a 48 horas;
- Febre, arrepios ou mal-estar geral;
- Sangue ou muco nas fezes;
- Dor abdominal intensa ou persistente e/ou contracções;
- Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina ou tonturas;
- Diminuição dos movimentos do bebé.
Como prevenir a diarreia na gravidez?
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de diarreia:
- Lavar bem as mãos antes das refeições;
- Consumir água potável;
- Lavar adequadamente as frutas e legumes;
- Evitar alimentos crus ou mal cozinhados;
- Seguir correctamente as orientações médicas relativas a suplementos e vitaminas.
Mensagem final
A diarreia na gravidez é relativamente comum e, na maioria dos casos, não é grave. No entanto, merece atenção, sobretudo se associada a sinais de alarme como é o caso da ocorrência de desidratação. Sempre que existam dúvidas ou sinais de alerta, é importante procurar aconselhamento médico.
Este artigo é apenas informativo e não substitui a avaliação médica. Em caso de dúvidas, sintomas ou preocupações procure sempre o seu médico.
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