O ciclo menstrual muda ao longo da vida. Não é suposto ser igual aos 13, aos 30, no pós-parto ou na perimenopausa.
Perceber estas fases ajuda a distinguir mudanças esperadas de sinais que merecem avaliação.
Puberdade
Depois da primeira menstruação, os ciclos podem demorar algum tempo a tornar-se mais previsíveis. Mesmo assim, dor intensa, fluxo muito abundante ou ausência prolongada de menstruação devem ser valorizados.
Idade reprodutiva
Nesta fase, o ciclo pode ser influenciado por gravidez, contraceção, stress, alterações de peso, exercício, sono, doenças, medicação e condições ginecológicas.
Conhecer o teu padrão ajuda a perceber mudanças.
Pós-parto e amamentação
Depois do parto, o corpo precisa de tempo. A menstruação pode demorar a voltar, sobretudo se estás a amamentar. Quando regressa, pode vir diferente durante algum tempo.
Mesmo antes da primeira menstruação, pode haver ovulação. Se não desejas engravidar, fala sobre contraceção no pós-parto.
A amenorreia lactacional, ou seja, a ausência de menstruação associada à amamentação, pode funcionar como método contracetivo em condições muito específicas: bebé com menos de 6 meses, amamentação exclusiva ou quase exclusiva, mamadas frequentes de dia e de noite, e ausência de menstruação desde o parto.
Se alguma destas condições deixa de se verificar, a eficácia diminui. Por isso, se queres evitar uma gravidez, vale a pena falar sobre contraceção mesmo antes da menstruação voltar.
Perimenopausa
A perimenopausa é a fase de transição antes da menopausa. Os ciclos podem tornar-se mais irregulares, o fluxo pode mudar e podem surgir sintomas como afrontamentos, alterações do sono, humor, secura vaginal ou alterações da libido.
Irregularidade nesta fase pode acontecer, mas sangramento muito abundante, perdas depois das relações ou sangramento após menopausa devem ser avaliados.
Menopausa
A menopausa é definida após 12 meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa. Depois da menopausa, qualquer perda de sangue deve ser avaliada.
Cuidar para além do ciclo
Em algumas fases da vida, o ciclo menstrual cruza-se com sono, alimentação, sexualidade, saúde intestinal, saúde mental, exercício físico, dor pélvica e sintomas urinários.
Quando fizer sentido, o acompanhamento pode envolver várias áreas:
- consulta de ginecologia, quando há dor, alterações do fluxo, ciclos irregulares, perdas de sangue ou dúvidas sobre contraceção;
- consulta de sexologia, quando há dor nas relações, alterações do desejo, desconforto, medo, evitamento ou impacto da menstruação na vida sexual;
- fisioterapia pélvica, quando há dor pélvica, sintomas urinários, dor nas relações, pós-parto ou dificuldade com produtos internos;
- consulta de nutrição, quando há relação entre ciclo, peso, alimentação, sintomas digestivos, energia ou alterações metabólicas;
- consulta de medicina do estilo de vida e exercício físico orientado, quando sono, stress, sedentarismo, exercício intenso ou hábitos diários parecem influenciar o ciclo;
- medicina tradicional chinesa, como complemento, quando a pessoa procura uma abordagem integrativa e ajustada ao seu caso;
- consulta de gastrenterologia, quando há dor ao evacuar, alterações intestinais marcadas ou sintomas digestivos que agravam com o ciclo;
- consulta de psiquiatria, quando há ansiedade, depressão, alterações intensas do humor, sintomas pré-menstruais graves ou sofrimento emocional persistente.
Perguntas frequentes
É normal o ciclo mudar depois do parto?
Sim, pode acontecer. Mas sangramento muito abundante, febre, dor intensa ou mau cheiro devem ser avaliados.
A perimenopausa pode começar com ciclos irregulares?
Pode. Mas não se deve assumir que tudo é perimenopausa sem olhar para o contexto.
Depois da menopausa posso voltar a sangrar?
Qualquer sangramento após menopausa deve ser avaliado.

