Tímido? Introvertido?
Quem mais já ouviu (ou já usou) estes adjetivos?
"Mete-o numa atividade para socializar."
"Tem de ganhar autoestima."
"Precisa de mais treino social."
Dizemos em seguida!
Mas será que as competências sociais aparecem porque aumentámos o número de horas rodeados de pessoas?
Ou será que crescem quando existem relações seguras suficientes para as praticar?
Comecemos pelo início:
Por conceito, as competências sociais são um conjunto de habilidades que vão permitir a interação com os outros. São aprendidas e melhoradas ao longo da vida e refletem a individualidade da pessoa, não sendo, por isso, iguais para todos.
Era tudo mais simples se fossem adquiridas intuitivamente e nos comportássemos sempre da mesma forma perante a mesma situação... mas tal não acontece. Por um lado, impossibilita a previsibilidade e dificulta a resposta comportamental, mas, por outro, é exatamente esta variabilidade que dá beleza às interações.
Hoje, muitas crianças passam 8, 9 ou 10 horas por dia em contextos educativos. Passam mais tempo na escola do que em quase qualquer outro lugar.
Por isso, talvez valha a pena fazer outras perguntas:
Que tipo de experiências estamos a oferecer durante todas essas horas? Serão as escolas um bom local de treino de competências sociais? Será suficiente deixar apenas as crianças livres a socializar?
A resposta é não.
Porque competências sociais não são apenas:
- esperar pela vez
- dizer "bom dia"
- partilhar brinquedos
- trabalhar em grupo
São também:
- tolerar frustração
- reparar conflitos
- sentir pertença
- pedir ajuda
- perceber emoções
- defender limites
- sentir-se competente mesmo quando falha
E estas aprendizagens acontecem dentro das relações. As competências sociais aprendem-se pela observação, pelo exemplo. São precisos bons exemplos para aprender boas respostas comportamentais.
Durante muito tempo acreditou-se que adultos mais duros criavam crianças mais fortes.
"Não é nada!"
"Já passou!"
E a minha preferida: "Não chores!"
Mas a autoestima raramente cresce a partir desta "dureza". E as competências sociais raramente florescem quando a prioridade é apenas obedecer.
A autoestima e a confiança para resolver problemas surgem exatamente do colo, do vínculo, da validação.
E lembrem-se: adultos respeitadores não significam adultos permissivos. Significam adultos que regulam antes de corrigir; escutam antes de interpretar; ensinam antes de exigir; ajudam a reparar em vez de apenas punir.
Porque uma criança que se sente segura aprende melhor.
E uma criança que passa tantas horas em contexto escolar precisa de muito mais do que supervisão. Precisa de relação.
E, por isso, a pergunta no fundo não é "Como ensinamos competências sociais?", mas sim: "Que exemplos estou eu a dar, como adulto?"
Semeemos empatia e assertividade.
