Quando encaminhar para consulta em Terapia da Fala?
Quando encaminhar para consulta em Terapia da Fala?

Quando encaminhar para consulta em Terapia da Fala?

Sinais de alerta por faixa etária que podem indicar a necessidade de avaliação em Terapia da Fala — do balbucio à entrada no 1º ciclo.

12 de maio de 2026 3 min de leitura Leonor Santos

Quando encaminhar para consulta em Terapia da Fala?

Enquanto Terapeuta da Fala, as questões que colocam frequentemente são: "Quando devo preocupar-me? O meu filho compreende tudo mas diz poucas palavras e troca sons", "O meu filho é sopinha de massa", "O meu filho diz muitas vezes han?", "O meu filho está preparado para ingressar no 1º ciclo?".

A presença de sinais de alerta pode justificar uma avaliação por parte de um Terapeuta da Fala. Deste modo fez-se um levantamento de alguns desses sinais, tendo em atenção que vários poderão surgir em diversas faixas etárias:

Até aos 12 meses

  • Ausência de sorriso
  • Ausência de balbucio
  • Não reage a sons e/ou à voz humana (possível indicador de perda auditiva)
  • Não reage ao próprio nome
  • Não imita sons ou padrões de entoação melódica
  • Ausência de gestos comunicativos (apontar, acenar)
  • Regressão ou perda de competências previamente adquiridas

Entre os 12 e os 24 meses

  • Ausência de palavras isoladas com significado
  • Ausência de jogo simbólico
  • Pouco vocabulário expressivo
  • Dificuldade em compreender ordens simples
  • Dificuldade em produzir frases simples
  • Preferência por comunicar apenas por gestos ou choro

Entre os 2 e os 3 anos

  • Discurso ininteligível
  • Dificuldade na produção de frases e no uso de constituintes morfossintáticos
  • Dificuldade em compreender instruções dadas e perguntas "Q"
  • Dificuldade em verbalizar pedidos
  • Substituição sistemática de palavras por gesto

Entre os 3 e os 4 anos

  • Discurso ininteligível
  • Dificuldade em verbalizar o nome de objetos de uso comum, partes do corpo, entre outros
  • Dificuldade em compreender e em executar ordens de duas ou três ideias
  • Não responde ou não faz perguntas
  • Utiliza no seu discurso apenas frases simples e curtas
  • Segue apenas um tópico de conversação e não consegue realizar troca de turnos

Entre os 4 e os 5 anos

  • Discurso ininteligível
  • Omite e/ou substitui sons e palavras no discurso
  • Dificuldade em reter/memorizar a informação transmitida e/ou adquirir novos conceitos
  • Não faz diálogos
  • Dificuldade na nomeação de diferentes tipos de imagens
  • Dificuldade na produção de frases complexas
  • Dificuldade em compreender noções espaciais
  • Dificuldade em tarefas de consciência fonológica

Entre os 5 e os 6 anos e posteriormente

  • Discurso ininteligível
  • Dificuldade em contar o seu dia ou em recontar uma história ouvida
  • Dificuldade no uso de frases complexas, constituintes morfossintáticos e em compreendê-las
  • Alterações ao nível do processamento fonológico (acesso lexical, discriminação auditiva e consciência fonológica) e, consequentemente na aquisição formal da leitura e da escrita.

O sistema nervoso central é particularmente responsivo à estimulação nos primeiros anos de vida, tornando este período fulcral na reorganização e na aprendizagem. Existem diversos estudos que referem a importância da intervenção terapêutica precoce. As crianças que beneficiam de intervenção no pré-escolar apresentam posteriormente melhor desempenho académico.

Assim, o encaminhamento precoce para uma avaliação especializada é fundamental para o desenvolvimento linguístico da criança. A avaliação em Terapia da Fala não implica necessariamente que a criança necessite logo de intervenção direta, podendo ser necessário fornecer à família várias linhas orientadoras, monitorizando o seu desenvolvimento e/ou solicitar o encaminhamento para outros profissionais de saúde.


Leonor Santos Terapeuta da Fala

Leonor Santos
Leonor Santos

Terapeuta da Fala desde 2016. Pós-graduada em Motricidade Orofacial e Perturbação dos Sons da Fala, bem como formações ao nível do Processamento Auditivo Central (Níveis 1 e 2) e de Leitura e da Escrita. Áreas de trabalho: linguagem oral e escrita na criança, fala e competências auditivas (processamento auditivo central).

Publicado em 12 de maio de 2026

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